sábado, 8 de novembro de 2008

A Viagem

Dia desses li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. Interessante porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques, desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis e alegrias com alguns embarques e tristezas com alguns desembarques. Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos, farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade, infelizmente. Em alguma estação eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão a ser especiais para nós. Embarcam nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas tomam esse trem a passeio, outros fazem a viagem experimentando somente tristezas. Há também, no trem, pessoas que passam de vagão a vagão, prontas para ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos viajam de tal forma que quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe. Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, o que nos obriga a fazer uma viagem separada deles. Mas claro que isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos nos assentar a seu lado, pois por vezes, outra pessoa está ocupando esse lugar. A viagem é assim: cheia de sonhos, fantasias, atropelos, esperas, embarques e desembarques. Sabemos, no entanto, que esse trem jamais volta. Façamos então essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom e afetuoso relacionamento com os passageiros, procurando em cada um deles o que tem de melhor, lembrando que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes, e alguém, com certeza, nos entenderá. O grande mistério, afinal, é que não sabemos em qual estação desceremos, e fico pensando, quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me de alguns amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. O que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa. Agora, nesse momento, o trem diminui a velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem diminui a velocidade. Quem entrará? Quem sairá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque, não só como a representação da morte, mas também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por motivos fúteis e ínfimos, deixam ou deixaram desmoronar. Fico feliz em perceber que certas pessoas, como nós, tem a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e luta, é saber viver, e tirar e proporcionar o melhor de todos os passageiros. Agradeço a Deus por vocês fazerem parte da minha viagem, e que por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza o vagão será o mesmo.

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